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Bebês da quarentena: quase 30 mil nasceram entre março e dezembro em Alagoas

Já nos seis primeiros dias deste ano, 462 nascimentos foram registrados em todo o Estado

11/01/2021 12h37
Por: Portal Noticiasdasuacidade.com Fonte: Gazetaweb
Bebê nasceu em plena quarentena FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Bebê nasceu em plena quarentena FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Em um período de incertezas devido à pandemia da Covid-19, o nascimento de bebês ressoa como esperança no coração do Mundo. Em Alagoas, de acordo com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Alagoas (Arpen/AL), 29.945 crianças foram registradas em 2020, entre os meses de março e dezembro, período em que o Estado iniciou o isolamento social. 

Já em todo o ano, foram 43.720 registros de nascimento, 7% a menos que o registrado em 2019, quando nasceram 47.072 bebês. Até o dia 7 de janeiro de 2021, já há o registro de 462 nascimentos. A capital teve o maior volume com 200, seguida de Arapiraca (33), Penedo (26), Rio Largo (19) e Teotônio Vilela (14). 

O novo vírus trouxe incertezas para as gestantes no tocante aos riscos e aos consequentes cuidados com os bebês, que, mesmo não estando no grupo de risco, precisam de uma maior atenção, principalmente nos primeiros dias de vida. Em razão disso, as mamães precisaram redobrar os cuidados desde o bebê dentro do ventre. 

O isolamento social foi a maior precaução tomada pela biomédica Hermenita da Rocha, mãe da pequena Maria Eduarda, de oito meses. "Quando começou a pandemia e as medidas de bloqueio, minha atitude foi aderir ao isolamento, não tinha contato com ninguém. Era algo muito novo, ninguém sabia como o Covid agia. Então, o cuidado maior na gestação foi o isolamento. Quando a pandemia começou, eu já estava com seis meses e, graças a Deus, nem eu nem meu esposo pegamos". 

E, com a pandemia, os cuidados com a higiene dos bebês foram reforçados. Mães que tiveram filhos durante esse período também sofreram com a falta de uma rede de apoio, geralmente composta pelas avós, tias, madrinhas e outros parentes. 

"Assim que a Duda nasceu, toda nossa família a conheceu por videochamada. Depois, quando ela tinha três meses, decidimos fracionar as visitas, porque queríamos que nossos pais, irmãos e sobrinhos conhecessem nossa filha pessoalmente. Então, começamos a organizar isso, dando um espaço de sete dias entre uma visita e outra, e as pessoas que vinham visitar tinham que ficar em casa, pelo menos sete dias, para poder vir. E, se tivesse com sintomas gripais, nem viriam. A gente continua com o esquema de isolamento, não temos convívio familiar porque não se pode aglomerar, e a gente não quer correr o risco", comentou.  

Já a técnica em Radiologia Vanessa Tenório, mesmo com todos os cuidados, contraiu o coronavírus e precisou ser internada quando estava com 34 semanas de gestação, apresentando indisposição, febre, episódios de falta de ar e cansaço. Ela conta que precisou ficar cinco dias à base de medicamentos para tentar segurar o bebê ao máximo. 

No entanto, uma ultrassom apresentou perda de líquidos devido a medicamentos tomados, e, por esse motivo, a equipe médica decidiu antecipar o parto. Valentim nasceu com 35 semanas de gestação, em uma cesariana feita às pressas no mês de julho. 

"Graças a Deus, não precisei ficar na UTI e tive uma melhora de 80% após o nascimento dele. Valentim precisou ficar na UTI Neonatal por 36 horas, apenas por precaução. Não tive o prazer de pegar meu filho em meus braços após o nascimento, e nosso primeiro contato visual foi por uma videochamada". 

O aleitamento materno também foi prejudicado, inicialmente, por causa da Covid. "Tentei por diversas vezes ordenhar o leite, porém, sem sucesso. Meu filho, com fome, rejeitou leite artificial, por esse motivo pediatras decidiram trazer Valentim até mim para que pudesse amamentar. Mas todo o processo era feito comigo de máscara", ressalta. 

Após mais de dez dias internados, mãe e filho puderam, finalmente, ir para casa, onde os cuidados continuaram. Apesar do susto com a antecipação do parto, o pequeno Valentim não ficou com nenhuma sequela. 

A mãe, por outro lado, ainda enfrenta sequelas pulmonares. "Após todo o susto, fiquei temerosa nos primeiros meses, saindo somente para consultas. Hoje, com mais cuidado, procuro sempre evitar aglomerações e mantenho todo o cuidado com uso de máscara e higiene adequada. Aos poucos vamos voltando nossa rotina normal, com muito mais atenção e cuidados", finaliza.

 

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