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Capital Tremor de terra

Tremor no Pinheiro completa dois anos e moradores relatam mudança de vida

Por causa do tremor, casas e edifícios apresentaram rachaduras.

04/03/2020 14h33
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Por: Portal Noticiasdasuacidade.com Fonte: Cada Minuto
Tremor deixou rachaduras em teto, paredes e chão de residência - Reprodução
Tremor deixou rachaduras em teto, paredes e chão de residência - Reprodução

Foi no dia 03 de março de 2018 que os moradores do bairro do Pinheiro, em Maceió, sentiram o chão tremer. Por causa do tremor, casas e edifícios apresentaram rachaduras. Com o problema, os moradores precisaram abandonar suas residências e deixaram para trás toda uma vida.

 

Ontem (03), o tremor no Pinheiro completou dois anos. A publicitária Elayne Cristina ainda lembra do abalo sísmico. “Lembro como hoje o primeiro abalo que teve. Estava no Divaldo Suruagy, na casa da minha mãe, quando sentimos o chão tremer. E de lá pra cá, as nossas vidas mudaram", contou Elayne.

 

A publicitária precisou se mudar com sua família para um apartamento, no bairro da Gruta, depois que as rachaduras atingiram o seu antigo prédio Tibério Rocha. “Tivemos que fazer um investimento e comprar um apartamento. Graças a Deus conseguimos, mas ficamos tristes por outros vizinhos nossos que não puderam e até hoje permanecem no local”.

 

A família da publicitária, mãe, tios, tias e sobrinhas, residiam toda no bairro do Pinheiro e tiveram que se mudar. “Nascemos naquele bairro e tivemos que sair, deixando para trás boas lembranças das nossas vidas e até hoje não tivemos nem amparo”.

 

A jornalista Lírida Nerys disse que o "último ano foi difícil para toda família". "A gente passa pelo bairro e vê o desespero das pessoas. Temos relatos de muitas pessoas que hoje enfrentam quadros depressivos".

 

Lírida contou que a mãe dela trabalhou por 44 anos no serviço público para ter a casa dela no Pinheiro. "Ela sempre pensou em ter uma aposentadoria muito tranquila, esse ano ela se aposentou e não conseguiu usufruir daquilo que ela tanto almejou. Saímos de uma casa grande para um apartamento pequeno para nossa antiga realidade, onde deixamos quase tudo o que temos para trás, pois não coube dentro do apartamento", disse.

 

Lírida disse que até agora a situação é desesperadora. "Não tem dinheiro, não tem indenização que venha reconstruir todo o valor afetivo que vivemos".

 

A jornalista disse que o processo de indenização é muito cruel. "A Braskem vai dar pra gente um recurso que a gente não sabe no que é baseado, eles vão na verdade indenizar algo que não tem valor, que são memórias. É a dedicação de toda uma vida que foi construída ali. Não tem valor", ressaltou.

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